Monday, June 22, 2015

Brasil Coração do Mundo


Eu  cresci em uma fazenda, no centro do Brasil.  País do futebol e do apartheid econômico e racial.

Pelé era o único grande destaque no grupo das pessoas invisíveis.

E por causa dele, eu acreditei que  poderia me tornar visível também.

No Brasil  envenenado com o preconceito econômico e social; ele foi o meu remédio visionário;

Eu cresci amando futebol. Quando a  seleção brasileira de futebol joga, nós brasileiros nos tornamos parte da mesma nação 

A bandeira e o hino nacional representando uma sociedade gloriosa.

Quantas lembranças maravilhosas, eu tenho desses momentos! De me sentir parte de algo maior e glorioso!

Nestes momentos, eu não sinto a dor da diferença de classe e raça, somente a alegria de fazer parte da nação brasileira !

Eu não gostava do carnaval, porque era o único momento que a população invisível aparecia na televisão.

 Eu achava que nós tínhamos que nos valorizar! Em vez de ficar  sambando para os brancos nas arquibancadas!


Mas como eu nasci com o bilhete da sorte grande e com os anjos ao meu redor. Em 1989 eu tive o prazer e a sorte de trabalhar como coordenadora do carnaval de Bairros da cidade de São Paulo.

Nós tínhamos dois meses para  preparar um carnaval, para o qual,  o ex-prefeito Jânio Quadros não havia deixado verbas.

Este trabalho me deu a oportunidade de conhecer todos os donos das escolas de samba de São Paulo, deste do Tobias da camisa verde ao Celso de uma Escola de Samba menor.

Eu conheci os sambistas do dia a dia, a  passista Glorinha, ue deu a luz em pleno sambódromo. 

Eu presenciei as dores, as dificuldades, as lutas, as paixões e as vitórias, dos povos invisíveis como eu.

Eu me apaixonei pela coragem, a determinação, a ousadia, dessa gente invisível, que sofre mas é feliz.

Eu aprendi ter orgulho de minha raça que apesar de todo desafio econômico da sobrevivência diária, conseguiu manter a maior festa do planeta. O samba!

Ao me mudar para os Estados Unidos.

Os americanos  me falaram do filme brasileiro "Cidade de Deus".

Eu nunca tinha assistido ao filme no Brasil, primeiro porque eu me recusava a assistir programas de violência, e em segundo lugar, eu estava cansada de ver meus patriotas invisíveis, somente se tornarem visíveis na tela, como bandidos cruéis! Então finalmente resolvi me sacrificar e assistir ao filme.

Os americanos adoram filmes violentos. Porém a filha do meu marido americano, Liza, se emocionou, e começou a chorar e  não terminou de assistir ao filme, provando que a história é boa, e os atores extraordinários.

O autor do livro Paulo Lins levou anos para lançar um segundo livro. Se fosse aqui, nos Estados Unidos, ele com certeza teria uma contrato, com pagamento adiantado para escrever no mínimo um livro por ano.

E os atores fantásticos, provavelmente faria uma série de filmes.

Eu estou dizendo isso tudo, para dizer, que mais uma vez, eu mudei um paradigma. Mas infelizmente mudar paradigmas nem sempre se torna fácil e simples. Nem um dos personagens do filme se tornou galã da Globo. Será que se eles fossem brancos, teriam o papel principal em várias novelas?



Em geral os países no mundo, são conhecidos pelo que tem de melhor, e de pior.

O melhor do Brasil:

O melhor futebol do mundo.

A capoeira que é uma arte marcial, que se distingue das outras artes marciais pela sua musicalidade.

O carnaval que se encontra entre uma das grandes festas do planeta.

Na literatura Machado de Assis foi  um dos criadores da Academia brasileira de letras.

A música brasileira, a comida típica brasileira.

Tudo de bom é fruto dessa massa invisível!

Uma das coisas que aprendi, vivendo nos Estados Unidos, é que o americano não fala mal do próprio país.

Eu encontro brasileiros falando mal do Brasil, com mais frequência do que eu gostaria de encontrar, algumas vezes com comentários absurdos.

Como minha amiga brasileira Márcia, que estava falando para americanos que a música

brasileira não é boa.Eu gostaria que ela ouvisse o programa de música brasileira

na rádio alemã NDR, do jornalista Rainer Skibb.

Existem problemas reais, como a violência. Na lista dos países pacíficos. No primeiro lugar está

a Islândia, Em 122 lugar, está o Brasil. Em 128 lugar,  está Os Estados Unidos.

O ano passado quase morri, quando meus amigos começaram a colocar no Facebook coisas negativas contra a copa, que em vez da copa devemos investir em comida.

É lógico que não concordo com a corrupção, quem pode concordar com coisa tão  indigna!

Mas ser contra a copa no Brasil?

Quando vim para os Estados Unidos, eu fiquei fascinada com a riqueza americana, mas senti que apesar da riqueza faltava a alegria brasileira!

Todavia aqui se valoriza muito os heróis.Ontem eu assisti a entrevista do Rei Pelé na Fox.
WATCH: http://foxs.pt/1siqlrb 
E chorei de emoção.
Porque até ver o programa eu não sabia desta história:

O Pelé  foi educado com o pai dizendo que homem não chora, quando ele tinha nove anos ele viu o pai chorando pela primeira vez. Então ele perguntou ao pai :

-"Porque você está chorando?"

O pai respondeu:

-" O Brasil perdeu a copa." ao que Pelé respondeu;

_" Eu vou ganhar a copa pra você, não se preocupe!" E ele ganhou três copas.

Eu fiquei pensando, porque eu nunca vi uma entrevista tão digna com o Pelé como essa, enquanto eu morava no Brasil.

Que bom usarmos este grande momento para contribuirmos positivamente para união brasileira.

E mostrar  esta história do Pelé em todas as escolas, para servir de incentivo para todas nossas crianças.

As crianças invisíveis, dizerem para o país.

-  " Pai não se preocupe, eu vou ser médico e cuidarei de você.

- "  Pai não se preocupe, eu vou ser banqueiro, e cuidarei de você"

- "  Pai não se preocupe, eu vou ser presidente do Brasil, e farei uma copa aqui sem corrupção."

O filme Invictus. mostra como Depois de passar 27 anos de sua vida em uma prisão Nelson Mandela


 é solto e eleito presidente da África do Sul. Nelson estava Consciente de que seu país continua sendo racista e economicamente dividido, sua meta é  acabar definitivamente com essa separação em toda África do Sul. 

Mandela vê  a  proximidade da copa do mundo de Rugby, uma possível solução para unir as pessoas amorosas e brancos por um mesmo ideal, incentivando o time para que este seja campeão. No final o plano do Mandela deu certo.


Eu não sou uma líder como o Mandela.

Mas quero fazer a minha parte.

No mapa refletindo a geografia do planeta terra, o Brasil é um coração. Acredito sim, que o Brasil é o coração do mundo.

Tudo que a gente dá atenção e focalizamos, realizamos.

Tudo na vida tem dois lados, e eu sempre escolho olhar para o lado positivo que é o lado vantajoso de tudo.

No Brasil eu estava acostumada com  festas que acabavam às 6 horas  da manhã. Quando eu me mudei para os Estados Unidos, meu amigo me convidou para ir a uma festa com ele.

Festa? Cadê a musica? Cadê a dança? Depois de muitas festas descobri que o que os americanos normalmente chamam de festas, são simplesmente reuniões com comidas e conversar...

Nós brasileiros somos bem vindos na maioria dos países. Dizer que você é brasileiro é como dizer que é um diamante.

A comida é bonita, incrível, saborosa e de boa digestão. Toda vez que vou ao Brasil, eu como mais do que o normal e perco peso. A comida brasileira ainda é em grande parte natural.

No Brasil tudo que se planta dá. Além de termos verde o ano inteiro, temos frutas e  vegetais como: açaí, caju, jaca, jabuticaba, Jatobá. 

Possuímos grande extensão territorial e população.

O brasileiro trabalha muito e sabe se divertir. Compartilhamos bebidas e carona.

O atendimento. O jeitinho brasileiro. A improvisação como arte

Os brasileiros amam sexo, são muito mais liberais.

Os brasileiros abraçam com mais frequência, são muito mais calorosos. A liberdade religiosa. As deusas femininas, Oxum, Yemanjá.

Elegemos um presidente negro antes do Estados Unidos, e temos uma mulher presidente.

A diversidade racial: gente com muitos diferentes tipos de pele, de cabelo. Eu mesmo sou descendente de Judeus, índios e africanos.

O Brasil é  o pioneiro em biotecnologia, só três países do mundo decodificaram o genoma, entre eles o Brasil.

Nós fazemos 20 milhões de declarações de imposto todo ano pela internet.

O Brasil faz uma votação com mais de cem milhões de eleitores totalmente eletrônica

e três horas depois tem o resultado.

Vamos nos concentrarmos em nosso poder. Heẽ! Nós podemos.


E as crianças começarem a dizerem:

-"Pai não se preocupe. Eu vencerei!"

Está na hora de começarmos a sermos uma nação de Pelés, não apenas no futebol, mas

em todas as áreas econômicas e sociais.

Mas temos que partir de um ponto. Seja líder dessa transformação. Heẽ, nós podemos!

E se você encontrar o rei por ai.

Diga a ele que sou sua fã, grata por ele se tornar visível, num mundo de invisíveis.

E fazer o nome do Brasil brilhar, no mundo todo!

O Brasil é maravilhoso. Pena que alguns brasileiros não acreditam.


Eu tenho o sonho de tirar uma foto com o Pelé. Alguém pode me ajudar a realizar este sonho?
 

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