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Wednesday, June 24, 2015

Como se Tornar Uma Pessoa Iluminada se Escurecendo....

A Janete é uma pessoa muita religiosa. Ela deseja se tornar uma pessoa da luz como Jesus Cristo,  Buda, ou Ala.
Uma pessoa iluminada é uma pessoa que brilha, que se sobressai, carismática, que tem "atenção divina", uma "luz". Uma pessoa emocionalmente madura, que tem a habilidade de lidar com suas emoções e o seu passado.
A Janete sempre deu o dizimo para a  organização religiosa dela, porque ela acredita que quando mais pessoas iluminadas no mundo, melhor o mundo se tornara. E ao contribuir com o dizimo, ela possibilita que a religião dela se espalhe pelo mundo, tornando as pessoas melhores e ao fazer isso ela se sente um pessoa melhor, fazendo parte de uma grande causa.

Um dia ao final do culto, um grupo de voluntários religiosos estavam vendendo cartões para arrecadação de fundo para aumentar a renda da igreja. Uma das voluntarias ofereceu um cartão de cinco reais para a Janete e sua amiga de fé Francisca.
A Janete pegou duas notas de vinte reais da carteira, deu uma nota de vinte reais para a voluntária e toda sorridente pediu para a companheira de fé retornar o troco.
A  Francisca e a voluntária olharam indignamente para Janete. Elas não disseram uma só palavra. Mas a Janete ouviu um grito.
- " Que absurdo!"
A Janete se sentiu culpada, por não dar os 20 reais por um cartão, afinal era para uma causa nobre. Ela deixou de dar o dinheiro para a casa de Deus, porque ela precisava muito daquele dinheiro
A Janete pegou o troco e saiu quase correndo, não apenas pelo sentimento de culpa, mas por cautela também.
Janete morria de medo de ser assaltada e já estava ficando escuro.
Deste de pequenina ela ouvia:
- "Não vai la fora no escuro, porque tem monstros."
O escuro era perigoso. Escuridão era trevas e negrume.

A palavra escuridão vem do Latim OBSCURUS, “sombrio, com pouca luz, incerto”.
Sinônimo para Escuridão: negro, mulato, pardo, preto, amulatado, bronzeado, sinistro, lúgubre, tenebroso, assustador, turvo, carregado, nublado, melancólico, suspeito, elicito, ambíguo, débil, obscuridade, ignorância.

Alguns pesquisadores acreditam que o medo do escuro esta no DNA humano desde que evoluímos, que nossos acentrais simplesmente tinham medo de serem comidos por predadores noturnos. Mas a verdade é que a Janete foi treinada a ter medo do escuro.
A Janete teria que atravessar uma ponte. Quando ela chegou na esquina da ponte, Janete percebeu que dois jovens estavam atravessando a ponte vindo na direção de onde ela se encontrava.
A Janete decidiu voltar para a rua do qual ela tinha vindo anteriormente.
Os dois jovens se juntaram com outras pessoas que se encontravam num grupo do outro lado da rua.
Ela começou a caminhar rapidamente, virou a rua e entrou num salão de beleza. Uma das senhoras que se encontrava no grupo da pessoas que se encontravam rua, veio caminhando atrás dela e entrou no salão também.
A mulher falando com sotaque estrangeiro disse a Janete:
- " Você é racista.( E querendo tomar satisfação com a Janete completou Você somente voltou para trás porque os dois eram negros."
A Janete explicou que ela não era racista; como ela poderia ser racista sendo negra também. Ela disse a mulher desconhecida que ela estava com medo porque ela tinha o dinheiro, que ela não quis doar para a igreja. E ela estava com medo de ser punida.
Os dois rapazes negros poderiam ser dois anjos que vieram para puni-la e castiga-la por não ter dado o dinheiro para o Senhor...
No próximo feriado, Janete  foi visitar a mãe com a família.

A mãe ainda morava na cidade que a Janete nasceu e cresceu.
Ao chegar em sua cidade natal Janete resolveu ir junto com a filha visitar uma favela, e seu marido passaria para pegar las.
A favela era cheia de pequenas vielas amontoadas e perigosas, ela estava andando naquelas pequenas vielas com o coração batendo mais que o normal e suando de medo.
A Janete estava triste com o que viu, a tristeza da Janete estava ligada a esse medo do escuro do desconhecido. Tudo que é desconhecido é obscuro
Num momento ela entrou numa venda, mas a venda era estranha, tinha que subir uma escada, sua filhinha estava subindo atras dela, ela não poderia subir e segurar a mão da filha, a filha estava muito jangada e com as mãos vermelhas, finalmente a filha caiu. mas apesar de toda a preocupação da Janete, Janete viu que a filha estava perfeitamente bem.
O marido dela veio pega-las. A Janete entrou no carro com o marido, nisto um garoto negro, entrou no carro também, ela ficou apavorada, primeira coisa que ela fez foi ver se o moleque estava armado. e rapidamente pensou e se outro da gangue entrasse no carro.
Janete estava com tanto medo. Ai o marido de Janete falou que o menino estava como ela também morrendo de medo.
Nisso a Janete decidi jogar o garoto fora do carro.
Neste momento a claridade atingiu a Janete, a claridade era muito forte e quase queimou-a.
Neste momento ela abraçou o escuro, poque abraçar o escuro era se abraçar, pois  ela era escura.
E naquele momento ela se tornou vulnerável, e se amou profundamente.
O escuro é a metade da vida.
O divino se apresenta no escuro, o nascimento a vida começa no escuro.
Por ela não saber e não compreender ela achava que teria que retornar para a luz.
Ela rezava para se iluminar ela achava que os sábios eram os iluminados.
Daquele momento em diante a Janete não se tornou Iluminada, mas equilibrada, ela passou a viver no caminho do meio, em total balanço com a escuridão e a luz.
O sábio e a sabia são as pessoas que vivem no caminho do meio, são pessoas que sabem que a escuridão não é trevas e que a luz não é Iluminação.