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Monday, June 22, 2015

Pobreza No Brasil

A Vida é Uma Comédia Para os Ricos, Uma Tragédia Para os Pobres. 
Quando eu tinha 14 anos eu morava em uma favela, na cidade dormitório de Mauá, e trabalhava em um fabrica, no bairro do Ipiranga, na cidade de São Paulo.
Na mesma época a globo estava repetindo a novela Dona Xepa.
A Dona Xepa  criou sozinha os filhos, que ascendem socialmente e escondem a verdade de: serem pobres e morarem no bairro do Ipiranga.
Eu achei que a novela estava mentindo.
Em minha percepção de vida naquele momento, quem morava naquelas casinhas geminadas do Ipiranga eram ricos.
Os Pobres eram pessoas como eu, que moravam num bairro periférico na cidade dormitório  Mauá; e levavam duas horas e meia no percurso da cidade de Mauá ao bairro do Ipiranga para trabalhar.
Alguns anos depois, eu morava perto da estacão de trem do Bairro de Pinheiros na cidade de São Paulo.
Um dia, o meu muro foi pichado com a frase: " Seus Burgueses de Merda".
Eu pensei na ironia da vida.
Para a pessoa que pichou o muro, alguém que morava numa casa geminada no bairro de Pinheiros era burgues.
Para mim morar em Pinheiros era ser pobre como os personagens da novela Dona Xepa. Os ricos eram os que moravam nos Jardins e Morumbi.
Naquele momento eu percebi que eu  havia mudado um paradigma da minha vida .
Em 1997 eu vim aos Estados Unidos pela primeira vez. Antes de viajar eu li uma reportagem com o cantor Martinho da Vila. Na reportagem ele dizia que levou um choque quando desembargou na década de setenta, no aeroporto de Atlanta no estado da Georgia.
Apesar de ter lido a matéria. Eu tive o mesmo choque que o Martinho teve, quando desembarquei no mesmo aeroporto vinte três anos depois dele.
A vice presidente da Universidade que vim para estudar, Terrie comentou que eu estava andando de boca aberta.
Eu fiquei surpresa com a situação da população Afro-Americana. Eu me impressionei totalmente com  o bairro dos ricos afro Americanos. Uau! os negros eram proprietários de todas aquelas mansões
Naquele momento mudei mais vez meu  paradigma do que era pobreza e riqueza.
Todos aqueles brancos brasileiros, que comiam ovos e arrotavam caviar; com aqueles carrinhos pequenos, casas e apartamentos cheios de segurança, que se achavam superior o suficiente, para discriminar. 
Quando me mudei para os Estados Unidos, eu fiz amizade com um americano que tinha piano na casa dele, quando eu era criança, piano era  um grande simbolo de riqueza. Ele mora em Annapolis Marlyland.
Ele tem uma casa na montanha, barco, e vários carros.
E ele me dizendo que era pobre. E ele realmente acredita ser pobre.
Eu disse a ele que se ele morasse no Brasil ele seria considerado um homem rico.
Porém isso não mudou o paradigma dele.
Mas depois de estar morando aqui por um período mas longo, eu o entendo.
A primeira pergunta que as pessoas te fazem é:
- "O que você faz?"
Eles não tentam conversar com você e descobrir quem você é.
Mas logo descobrir o seu sucesso econômico ou não. Por favor me diga o que você faz, eu saberei o que você tem, e ai saberei , se você  é alguém.
No concurso do SBT o Chico Xavier foi escolhido o brasileiro de todos os tempos.
Isso jamais aconteceria aqui.
Nos Estados Unidos a sua generosidade, e sapiência  tem que estar refletida na sua conta bancária.
O sucesso econômico aqui  é fundamental.
Agora eu desejo poder mudar mais uma vez, o meu paradigma.
Eu quero ter uma casa num cidade bonita, um barco, carros, uma casa na montanha e pensar que sou pobre.
Eu tive um namorado que eu pensava ser rico, porque como o Eduardo Suplicy, que não soube dizer o preço do pãozinho quando ele foi candidato. O Meu namorado nunca sabia os preços das coisas. Ele me levava para assistir operas e concertos internacionais da Itália, Alemanha e Russia. Eu me sentia deslocada porque as mulheres usavam joias e  casacos de pele.
Uma vez ao viajar ele me deixou dois ingressos para uma dessas operas, e me disse para convidar uma amiga em comum. Ela não quis ir. Então quando cheguei no teatro tentei vender o convite. Eu fiquei totalmente surpresa, pois um ingresso era o valor do meu salario mensal.
Quando passei no concurso que disputei com mais de cem mil pessoas, ele me perguntou qual seria o meu salario.Eu disse para ele  adivinhar. Ele me disse:
-  "Ahn! três mil reais, como se três mil reais fosse uma miséria, porem meu salario, seria de seiscentos reais por mês!
Naquele tempo minha ideologia era diferente.
Quando nos  íamos a um restaurante, onde um jantar para dois custava mais de duzentos reais.
Eu o fazia sentir culpado, perguntando:
- " Como Você tem coragem de gastar todo esse dinheiro num restaurante, enquanto tem tanta gente passando fome?"
Porem morando aqui, eu aprendi que tem pessoas dispostas a pagar sete milhões de reais num leilão, que ocorre  no site do Ebay para almoçar com o Warren Buffet, o dinheiro vai para caridade.
Mas com certeza as pessoas que participam do leilão têm um paradigma completamente diferente do meu paradigma de pobreza e riqueza.
O meu primeiro encontro com o Lula ocorreu na década do setenta,  numa igreja, perto da favela que eu morava em Mauá.
O Lula com certeza mudou muitos paradigmas, para de trabalhador se transformar presidente. E vender 12% das ações do Banco do Brasil para o banco dos Rothschild.
O  meu marido me disse que o irmão e o pai dele são ricos. Mas isso depende do paradigma de cada um do que é riqueza.
Todavia eu adoro ir para a casa de veraneio com barcos, jet sky, etc dos pais dele no largo de  Chautauqua em Nova Iorque.
Eu adoro ir no restaurante exclusivo. com ianques milionários, e funcionários jovens da classe media que se sente felizes com o emprego de verão, nunca vejo afro americanos ou latinos na cidade de veraneio.
E concordo com o Raul Seixas:
" Eu prefiro ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha ideia formada a respeito de tudo!"
Sera que os descentes brasileiros dos povos que foram escravizados   irão mudar os paradigmas nos quais foram criados?
E você?
Qual é a sua visão a respeito do que é pobreza e riqueza? Quais foram os paradigmas que você mudou?