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Monday, October 19, 2015

Deus Lhe Deu Uma Cor, E Você Tornar-se Noutra

Ontem eu estava morrendo de saudades do meu filho Iúna, que é o meu herói e a noite fui a reunião budista o tema da reunião era:
" Como Sabemos quando estamos iluminados?"
Na reunião tinha mais homens que mulheres, e a sincronicidade de histórias deles com a minha historia me fez pensar: " Porque eu não consegui trazer meu filho para morar comigo?"
A primeira história foi de um homem que disse  que a ex esposa não quer que ele fique com os filhos e ontem o filho deles de apenas seis anos foi suspenso da escola.

O segundo relato foi de um homem que disse, que ao se separar da esposa , ele ficou com o filho, e que a mãe nunca ia visitar o filho, e que ele esta indo para a corte.

A noite eu sonhei que meu filho não queria mais viver comigo.
Hoje acordei determinada a vencer, senão por mim, pelo meu filho
O meu filho se tornou meu maior incentivo!
Ao ele nascer eu soube o significado profundo da palavra Amor.
Eu estava em na praia de Maresias na cidade de  São Sebastião, na padaria da esquina; assistindo ao Martinho da vila , no programa do Faustão quando minha bolsa estourou. Um mês antes da data  prevista.
Eu cheguei no hospital domingo a noite, e já havia mais de cinco mulheres grávidas no quarto, mas nada aconteceu.
Quando o doutor chegou de manha. Ele perguntou para a enfermeira.
- " O que houve?"  E a enfermeira respondeu:
- "A doutora não quis trabalhar."  E pela troca de olhar entre doutor e enfermeira. Eu percebi que isso era um fato fato corriqueiro.

O doutor não sabia quem atender primeiro.  A primeira que ele atendeu perdeu o bebe na mesa do parto.
Apesar da situação dramática,
A primeira coisa que eu disse ao doutor no minuto que meu filho nasceu foi:
- " Dr. guarde o nome do meu filho, porque ele será muito famoso!"

O doutor me deu o olhar dos incrédulos, afinal eu estava num hospital público, .
Mas o olhar não tirou a minha credibilidade, eu pensei que o médico estava perdendo a change dele, porque no futuro ele não teria a oportunidade de dizer; que foi ele quem trouxe o Iúna ao mundo.
No quarto que fiquei tinha mais quatro pacientes, uma paciente estava internada, sem bebê, o dr não conseguiu salvar o bebê, que morreu no parto. Eu fiquei pensando que isto devia ser normal no hospital. Porque a enfermeira de patrão na véspera, me perguntou se eu tinha convênio. Eu disse que sim. Então ela me disse quase que implorando. Então vá para Sao Paulo. Eu achei que ela estava maluca. Afinal a minha bolsa tinha estourado.

Como eles podiam ser tão insensíveis, a ponto de colocar uma mãe que acabou de perder o bebê, com quatro mulheres que haviam tido os seus bebes. Talvez isso explique o porquê de mesmo eu já ter perdido todo meu líquido, a enfermeira ainda, me aconselhou a viajar quatro horas para ter meu bebê noutro local. Eu cheguei a conclusão, aquela enfermeira já havia presenciado o imaginável.
No dia permitido a visitas, o quarto lotou, ficando cheio de pais, avós, tias, famílias felizes com um novo pequenino integrante da família.
A preocupação de todos era em relação a  aparência dos pequeninos recém nascidos.
-" Oh o nariz dele não é grande."
- " O cabelo é lisinho!"


O meu amigo jornalista e professor Luiz, havia me contato a respeito das certidões de nascimentos e etnia. Como ele teve que brigar com o serviço público para colocar a etnia correta do filho no registro do cartório.
Ele havia me dito que apesar de não constar no registro de nascimento o item etnia ou cor. Quando uma criança nasce, a etnia, ficava registrado no cartório. E esses dados iria para estáticas sobre a população brasileira.



Nesse momento alegre das visitas; a assistente social veio, e me perguntou, se tudo estava bem.
- "Eu estou bem. Mas tem uma coisa errada no cartão de identificação do meu filho, o cartão diz que ele é  branco. Quando a enfermeira  me trouxe o documento, eu vi que meu filho estava identificado como Branco. Eu disse a ela, que havia um erro, pois o meu melhor não poderia ser branco, mas ela me ignorou." Eu respondi a assistente social.
neste momento todas as mães e visitantes, descontraídos, ficaram em silencio, eles prenderam a respiração, deixando o quarto num silêncio total. Eu acho que o silêncio, e a prendida de respiração foi por medo. Medo?
Eu podia ler através das expressões deles, que eles achavam, que eu estava louca.Todos os bebes no quarto eram negros. Mas todos os bebes, receberão a identificação de brancos. Eu percebi o medo, de que as fichas dos  bebes deles, também pudessem ser mudadas.
A assistente social pegou o meu cartão e me disse que iria mudá-lo. Deixando as outras mães e familiares tranquilos. somente o meu filho deixaria de ser branco. O alívio sentido, por saber que seus filhos estavam salvos, salvos da maldição de se tornarem negros.

Finalmente chegou o dia, no qual eu recebi a alta do hospital. Porém o cartão de nascimento do meu filho, continuava constando que ele era branco.
Eu pedi a enfermeira "parda" para providenciar a mudança. Ela me disse que nao seria possivel
- " O meu filho não pode ser branco, você acha que dentro de mim sairia uma criança branca?" tentei argumentar o óbvio, que ao meu ver não precisava de defesa nem argumentação.
Como eu não consegui que ela agisse. Eu lhe disse que não sairia do hospital até o documento ser mudado.
Então zangada ela tirou o meu filho do meu braço e saiu com ele.
Quando ela voltou com o Iuna, ela me deu o cartão de identificação dele, ele era pardo.
Pardo? O que era Pardo?

Eu cresci com um registro de nascimento que dizia que eu era parda.
Eu me sentia horrível cada vez que tinha que escrever a palavra Parda.
De acordo com o IBGE, os pardos configuram um dos cinco grupos "cor ou raça" que compõe a população brasileira.
O termo "pardo" é o mais comumente usado para referir-se a brasileiros mestiços.
No Brasil se considera que 44,2% da população é parda.
Como 44,2%? Se eu tenho uma irmã que foi registrada como branca. E no dia que meu filho nasceu, três crianças negras foram registradas como sendo brancas?
Era inacreditável que eu tive que exigir o direito de ter o filho registrado como pardo, uma palavra que eu aprendi a odiar ao crescer. Bom pelo menos, ele não teria que carregar um registro com a palavra "pardo". Pois isso não fazia mais parte da certidao. Ali no hospital, cheia de dores, por causa da operação cesariana eu não tinha mais energia para exigir uma identificação correta.
Ele foi um anjo que nasceu para me dar  força para continuar  nos momentos que eu queria desistir.
Antes dele nascer uma vidente, me disse que ele seria uma luz em minha vida e na vida do pai dele. E que ele teria muitas dificuldades, principalmente na adolescência, mas que depois a vida dele seria um esplendor.
Deste de pequenino ele é  muito inteligente.
Quando ele tinha quatro meses, eu tinha uma hora marcada, com um jornalista para dar uma entrevista.  E eu estava correndo para organizar meu espaço.Enquanto ele chorava, ele era um bebe que não chorava. Mas eu não fui imediatamente,  Quando finalmente fui vê-lo, ele estava de cabeça para baixo, segurando no carrinho para não cair.
Veja a foto. Eu achei tão incrível que na vez de socorrer, eu fui pegar a câmera.

Quantas histórias!
Veja a cartinha que ele me escreveu quanto eu já estava ausente a mais de um ano.
Este meu filho muito especial, meu anjo e herói  tem a cor de Deus!